02 maio, 2007

poltergeist...




”Nós precisamos definir as condições de possibilidade política e ética de nossa “civilização-mundo”. Como regular sua emergência? Com que fins? Para qual projeto mundial? A “compressão planetária” dos povos do mundo conduz progressiva e inevitavelmente à formação de facto de uma comunidade mundial integrada. A cibercultura [outro nome para a cultura da abstração] é um sinal anunciador da formação dessa comunidade mundial, prefigurando a emergência de um planeta dos espíritos, de uma noosfera, capaz de iniciar um renascimento da Humanidade.

Três datas fundadoras caracterizam a Renascença européia: 1454, 1492, 1517. Três nomes a pontuam: Gutemberg, Colombo, Lutero. Três invenções a resumem: a imprensa, a América, a Reforma.

Não é uma nova Renascença que se prepara, um renascimento mundial? Como há mais de cinco séculos, assistimos à invenção quase simultânea de uma nova imprensa, uma nova América e uma nova Reforma. A nova imprensa é o digital e o virtual. A nova América é o ciberespaço e o novo mundo da abstração financeira e tecnológica. A nova Reforma emerge. É a do bem comum mundial. Falta um novo Lutero para encarná-la.”

(in: Quéau, Ph. La Planète des Esprits: pour une politique du cyberespace. Paris: Odile Jacob, 2000. p. 7-10.)

Como descrever e registrar o nosso atual Espírito do Tempo (zeitgeist)?
Considerando o intenso e ininterrupto fluxo de imagens que caracteriza as formas de comunicação atuais, qual seria o lugar dessas imagens? Seria um suporte material ou imaterial?
Partindo dessas questões, a série de fotografias digitais ”Poltergeist” propõe um exercício experimental de criação de imagens a partir de imagens existentes e em movimento, em meio digital.
A fonte dessas imagens são mídias utilizadas em espaços domésticos, como monitores de computador, televisão, displays LCD de telefones celulares e sintetizadores, leds, etc.
Com esses equipamentos ligados, utilizando uma câmera fotográfica digital de baixa resolução, são produzidas fotografias com o observador em movimento.
Clicando entre esses movimentos rápidos e aleatórios, são captadas imagens distorcidas de flashes de luz coloridos, como uma memória turva e sintética de um observador que também se encontra em constante transformação.

Essas imagens digitais têm como suporte preferencial os meios digitais, com projeções de luz, seja em monitores de computador, na Internet, ou em projeções urbanas.
Alternativamente, propõe-se a utilização de materiais diáfanos como suporte, imprimindo as imagens (previamente selecionadas a partir das apresentadas aqui) em tecidos ou papéis leves e transparentes, como o voile, a seda, o papel arroz ou folhas de acetato.
Sempre preservando o diálogo da transparência da luz sobre o suporte.


...e parece que a trilha desses dias tem sido 'add n to x'

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